Sinal de rádio vindo do 3I/ATLAS: seria vida alienígena ou apenas um cometa em ação?

Sinal de rádio vindo do 3I/ATLAS: seria vida alienígena ou apenas um cometa em ação?
Imagem: Reprodução

O que o radiotelescópio MeerKAT descobriu ao observar o cometa 3I/ATLAS

Na última semana de outubro, um grupo de astrônomos fez uma descoberta que despertou a curiosidade de muita gente. Um sinal de rádio vindo do espaço profundo foi detectado pelo radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, ao observar o cometa interestelar 3I/ATLAS.

Mas, antes que alguém imagine contatos extraterrestres, é importante explicar: não se trata de vida alienígena, e sim de uma descoberta científica natural e fascinante, a presença de moléculas de água sendo liberadas do cometa.

Afinal, o que foi detectado pelo radiotelescópio?

Durante as observações feitas em 24 de outubro de 2025, os cientistas detectaram linhas de absorção de rádio em 1665 e 1667 MHz, correspondentes ao radical hidroxila (OH), um dos principais produtos da quebra da molécula de água (H₂O) quando esta é exposta à radiação solar.

Em outras palavras:

 *o cometa está liberando água no espaço,
 *e o que o telescópio captou foi a “assinatura” dessas moléculas.

Esses sinais, conhecidos como “linhas de absorção de OH”, são comuns em cometas do nosso Sistema Solar, mas o que torna essa detecção especial é o fato de o 3I/ATLAS ser um objeto interestelar, ou seja, veio de fora do nosso sistema.

O cometa 3I/ATLAS: um visitante interestelar

O 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar já detectado passando pelo nosso Sistema Solar, os anteriores foram ‘Oumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019).

Esses objetos viajam a velocidades altíssimas e vêm de outras estrelas, cruzando o espaço entre os sistemas planetários.

No dia 24 de outubro, o 3I/ATLAS estava a apenas 3,76 graus do Sol no céu, uma distância angular muito pequena. Mesmo assim, o MeerKAT conseguiu captar o sinal, mostrando a alta sensibilidade do radiotelescópio.

A detecção indica que o cometa está perdendo gelo e liberando gases, algo comum quando esses corpos se aproximam do Sol.

Mas por que algumas pessoas associaram isso a vida alienígena?

O motivo é simples: sinais de rádio vindos do espaço sempre despertam a imaginação popular.
 Desde o famoso “Wow! Signal”, captado em 1977, qualquer menção a transmissões cósmicas costuma gerar especulações sobre inteligência extraterrestre.

No caso do 3I/ATLAS, o sinal não é uma transmissão intencional. Ele é o resultado natural da interação da luz solar com a água do cometa.

A radiação ultravioleta quebra as moléculas de água, liberando radicais OH, que absorvem ondas de rádio em frequências específicas, e foi exatamente isso que o MeerKAT registrou.

Portanto, o fenômeno é químico e físico, não tecnológico.

O que vem a seguir: o caminho do 3I/ATLAS até deixar o Sistema Solar

Os astrônomos continuam acompanhando a trajetória do 3I/ATLAS.

Em março de 2026, ele passará a cerca de 53 milhões de quilômetros de Júpiter, quando a sonda Juno, da NASA, aproveitará a oportunidade para buscar outros tipos de sinais em frequências mais baixas (de 50 Hz a 40 MHz).

Depois dessa passagem, o cometa seguirá sua rota para fora do Sistema Solar, retornando ao espaço interestelar de onde veio.

Os cientistas esperam aprender mais sobre sua composição, origem e interações com a radiação solar, o que ajuda a entender melhor como se formam os sistemas planetários.

O que essa descoberta significa para a ciência?

Essa é uma das primeiras detecções de sinais de OH em um objeto interestelar, e representa um marco para a radioastronomia moderna.

Mostra que a água, ingrediente essencial para a vida, existe em corpos vindos de outras estrelas, o que reforça a ideia de que os elementos básicos da vida estão espalhados por todo o universo.

Mas é importante lembrar: não há evidência de vida alienígena, e sim um fenômeno natural extremamente interessante, que nos ajuda a compreender melhor o cosmos.

Um recado do espaço?

O sinal de rádio do 3I/ATLAS não é um recado do espaço, mas um eco da própria natureza, mostrando como o universo é vivo e dinâmico.

A cada nova observação, aprendemos mais sobre a origem da água, dos planetas e talvez, no futuro, da própria vida.

Enquanto isso, os telescópios de todo o mundo continuarão com os olhos, e as antenas, apontados para o céu, atentos ao próximo visitante interestelar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Lagoa News

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